terça-feira, 13 de abril de 2010

No "ÉDificil".

Lá vem ele.
Aliás... lá vem eu.

Compras, sacolas do mercado
Carrinho de bebê
Bolsa de bebê
Bebê...

E lá está ele.
Nele mesmo.
Não sei se segura a vassoura, ou a vassoura o segura.
Parecem namorados assim abraçados e encostados na grade do prédio.
Ócios do ofício, né?

Ali estavam, ali ficou.

Tudo bem.
É simples:

Põe as compras no chão.
Pega a chave dentro da bolsa.
Abre o portão.
Empurra o carrinho pra dentro equilibrando as compras com a porta de ferro
Estaciona o carrinho à beira da escada
5 degraus.
Leva as sacolas do mercado até o topo da escada
Desce a escada.
Pega o carrinho.
Dorme o bebê.
Sobe o carrinho.
Pega a chave agora no bolso.
A chave cai.
Abaixa, pega a chave e abre a porta de vidro.
Bota as compras pra tentar segurar a porta.
A garrafa de mate tomba.
Consequentemente derrubando a outra sacola e fechando a porta de vidro com a lata de milho rolando pelo chão.
Respira.
Reabre a porta de vidro empurrando o carrinho, a porta de vidro e tudo que ver pela frente acordando a criança.
Respira de novo.
Leva o carrinho até a porta do elevador.
Volta até a porta de vidro
Recolha as mercadorias que fugiram e pega as sacolas.
Espera o elevador.
Abre a porta do elevador.
Com aquela seguradinha de bunda mantém aberta a pesada porta do elevador.
Puxa o carrinho pra dentro.
Sai.
Pega as compras.

Enfim, depois das Olimpíadas num olhar até a portão, transparente pela porta de vidro chega ele.
Pra fiscalizar se deu tudo certo.

E agora?

Krav Magá?
TrêsOitão?

Qual é a solução?

É claro que ele tem muito mais o que fazer como no momento atracado à vassoura e olhando a bunda da empregada do 702 mas na boa, vai muito além, independe da profissão.

Ironicamente porteiro.
Em seu prefixo "port".
O mesmo de portão, porta de vidro, porta do elevador...

Por onde anda a gentileza?

Ainda reclamavam que o antigo zelador bebia.
Era engraçado encontrá-lo também chegando de madrugada.
Um mais bêbado que o outro.
Mas quando conseguia (eu ou ele) depois de muita mira acertar a chave no buraco da fechadura pelo menos a gente se ajudava a subir as escadas, abrir a porta de vidro ou levantar se algo (alguém) caísse.

...

7 comentários:

Juliana (A Tuca!) disse...

Gentileza e educação independem da profissão.

Digo isso pq meu pai também é porteiro e até hj diversas pessoas pedem que ele regresse aos edifícios onde já trabalhou.

Sentem a falta dele não somente como profissional mas também como o amigo com quem podiam contar.

Na moral? Meu pai é foda! :)

E é porteiro.

Bj, Joãozinho!

vanessa disse...

esse é o nosso amado porteiro!!!rs.

eu já desisti dele

só com muita yoga para ter paciência,
só com muita yoga!

Caroline disse...

Ser gente grande não é mole não, seu moço!

É, a verdade é que precisamos ter iniciativa sempre... No meio do trabalho, ou não... Concordo com a Juliana, gentileza e educação independem da educação!Mas nem vou começar a falar o que acho, pq os motoritas e cobradores de ônibus vão sofrer, assim como gerentes de banco, atendentes da OI, entre outros.

Ah, mas o o texto está engraçado!

Beijão!

:::DIARIO DE UM SAMBISTA::: disse...

Falta pró-atividade, nas pessoas hoje em dia seguida de gentileza...
mas fazer o que né meu caro amigo? gentileza até se aprende com o tempo mas eu acho que pró atividade vem de berço e não dá para cobrar de quem não tem.

João M. Martins disse...

Beijos pró ativistas pra todos os amigos e seus comentários!!!

Tamo junto!

syame disse...

A poesia do texto é o q o faz arte... A mensagem, essa foge das mãos do artista...

belo texto...

João M. Martins disse...

Falou bonito, syame!