domingo, 13 de março de 2011

Paineiras

E assim subimos.
Devagar transando os verdes das curvas do velho Cosme.
Entranhando a santidade da Teresa
Curtindo Ascurra
Silvestre
Adentrando a Tijuca em seu pleno parque apenas verdes
Cerzindo notas antigas canções bordavam.
Subimos
Subimos
Paineiras
Chegamos
Na vista.
Do alto
Abraços.
E relatar o sonho de voar é natural ao natural tão íntimo.
Floresta e abraços.
Ao abismo de montes o construído cravejado nos vales da cidade.
O mar é visto ao longe e lá iríamos num vôo rápido como o da borboleta.
Coitada?
Ela se encasula - e não enclausula- pra aprender a não ser mais só larva, que sim, bela é menos ela do que quando voará.
E no casulo aprende
E madura o poder voar.
Pois pra voar não bastam apenas os bons de coração
O algo mais assim precisará.
Tempo talvez.

Dinheiro talvez...

Veja, o Jockey.
Grandioso espaço,não?
Daqui de cima é um dos mais notórios, ó senhora.
Ora jogo, ora esporte?
Ora bolas, são cavalos.
E cavalos rendem bem.
Tá lá o Jockey... bem lembrando tempos de Gávea onde ao muro me quebrei.

Isso é prosa de outra hora.

Vem voando o passarinho.
É tucano?
Bicho preto de bico bonito, não tão grande de tucano, mas formoso bico.
Parece tucano.
Daí vê de longe.
Umas 7 ou 8 árvores á frente do mirante.
Voa pra lá, voa pra cá
Já agora a 5 ou 6.
Olha, esconde
Voa, voa...
Voa, olha...
E bem perto aqui no galho parou
Olhou agora firme.
Interagiu.
E esperou contemplando.
Tava na hora.

Sim.
Lá veio a neblina.
Subiu rápida turvando vista
Veio a nuvem em forma de nuvem
E nós dentro da nuvem
Não algodosa como cartum
nem gelada como uma frente fria
nem molhada
nem andina.

Vapor.

E se instalou um tempo tão bom
De branco
De dentro da paz
De dentro da nuvem
E dentro de nós
Tragada
Os bobos e o pássaro.
Que viram crianças brincarem
E chorarem depois de ao chão caírem
Ralarem
Joelhos
Gritarem de dor.
Gritaram na bica
Da água gelada
E a gente voltando
Pensando na vida
Levando pra frente
Levando aos pulmões nuvem que agora ao sangue
Reflete o barato da cidade vista de cima
Sentida do céu
Até, passarinho.

Um comentário:

barbaroca disse...

simplesmente lindo!! Não tem nem o que falar!