segunda-feira, 4 de abril de 2011

Mistério em Dose Certa

Mistério em Dose Certa
(João Martins/ Mariana Padrão)

Rebuscar um samba alegre pra espantar a dor,
pra ver sorrir
Ele vai cantar no alvorecer
Pra gente ver surgir
Desbancando a noite vai, meu samba, traz a flor enfim
Revolta a velha paz
Cure a mim

Pois quando a flor me falta
Um vazio faz o peito arder
Pois quando a flor me falta
Aproxima o padecer

Mas quando amada
A flor faz seu papel
Mistério em dose certa
Mais cor que meu céu
O samba tenta
Surpreende
Mas se rende
Qual se a flor sangrasse mel


...

quinta-feira, 31 de março de 2011

Pés

É pé de quê?
É pé de limoeiro, moço.
De moleque
Descalço.
Bicando bola e pegando bicho no quintal.
Pé que corre mundo
Pé que vai buscar
Que se enfia na jaca
Que chuta baldes e paus de barraca
Pés que se esticam ao prazer
Pés que pisam onde não devem e depois desandam a correr
Pé que não se pega.

Planta dos pés,
Planta dos passos.
Passo à passo.
Passarão.

Até que os da galinha, sem pena começam a ciscar o rosto
E o pedante pé de antes pianinho agora baila sereno pelo salão
Pé de valsa
Pé no chão
Driblando o destino pros pés não finalmente juntarem
Aos pés dessa vida sem pé nem cabeça.


...

segunda-feira, 21 de março de 2011

Ao embate as consequências

E ao telefone tudo está decidido.
Não quero mais.
Você me faz mal.
O outro compra a idéia.
Pode ser...
Não, as coisas não vão terminar assim... não te conheci por telefone.
Encontremos

E ao caminho tudo se afervilha.
O penar do pesar na balança que balança as certezas.
Pois ninguém morre pela falta de alguém
Não nascemos juntos...

Seguem.
Concentram.

E ao seguir o longo percurso maior ainda é a reflexão
A maturação do fim
O discurso de despedida
A permanência do indefinido chega perto de extinguir e o pé firme marcha ao embate.
Marcha como se fosse à guerra
À toque de caixas
A cara de mau
As sobrancelhas sisudas e os dentes cerrados.

E ao abrir da porta o olhar emudece.
Beija?
Aonde?
Mãos perdidas e corpos bambeando desaguam num abraço.
Abraço longo remetendo a quando tudo começou.
Tudo que em sopro assobia ser ainda pouco
Mas acalma-se em breve tom.
Pois ainda está o tudo acabado.
Ou acabando
Ou nunca é tarde?

...

Sérios.

Vamos.
Diz tua história.
Terminemos com isso logo pois a vida tem que andar.
Da forma que for.
Olha como você é.
Olha o que você fez.
Olha o quanto eu sofro.
Olha o quanto eu chorei.
Olha...

... e ao fim veja que a gente se preocupa com coisas tão pequenas que nem conseguimos enxergar.
Daí ficamos assim
a nos mandar olhar.
A nos mandar.
A nos perder?

Pensam.

E ao extravasar da toda angustia outro abraço embola.
Agora nosso primeiro beijo como ex-o-que-fossemos.
Dado com mais paixão
Sim, pois ja que agora não somos mais... contém pecado.

E a essa vontade de amalgamar nossos corpos?
Serão enfim ex-corpos esses que toda manhã desembocam apenas em sorrisos?
Afinal somos o sorriso
E aos sorrisos, que só combinam com choros quando juntos na cara, uma chance.
Não.
Não acabou.
Aumentou.
Vamos em frente.

terça-feira, 15 de março de 2011

Ao Raul

Os amores fazem sangrar.
As paixões desvirtuam meu certo.
E então me permito seguir assim
Sem fim.
Sem certeza me prendendo à ilusões que só refletem enfim abandono.
E re-sangrar
E jorra o sangue que nem bom está pois a noite o fez ralo
o fez fraco
o fez nada pra apenas me manter triste.
Me fez nada pra rever amores
Me disse coisas que tenho medo de aos capetinos revelar.
Capetinos esses que apuram tal sangue
Com maldade e discórdia
Com saudades e dúvidas
Dissabor invisível
Eminente solução
pra curar o desconhecido.
Vence quem resgata o temor por amar quem não se deve
das garras de um sofrimento já condecorado em lágrimas.



...

domingo, 13 de março de 2011

Paineiras

E assim subimos.
Devagar transando os verdes das curvas do velho Cosme.
Entranhando a santidade da Teresa
Curtindo Ascurra
Silvestre
Adentrando a Tijuca em seu pleno parque apenas verdes
Cerzindo notas antigas canções bordavam.
Subimos
Subimos
Paineiras
Chegamos
Na vista.
Do alto
Abraços.
E relatar o sonho de voar é natural ao natural tão íntimo.
Floresta e abraços.
Ao abismo de montes o construído cravejado nos vales da cidade.
O mar é visto ao longe e lá iríamos num vôo rápido como o da borboleta.
Coitada?
Ela se encasula - e não enclausula- pra aprender a não ser mais só larva, que sim, bela é menos ela do que quando voará.
E no casulo aprende
E madura o poder voar.
Pois pra voar não bastam apenas os bons de coração
O algo mais assim precisará.
Tempo talvez.

Dinheiro talvez...

Veja, o Jockey.
Grandioso espaço,não?
Daqui de cima é um dos mais notórios, ó senhora.
Ora jogo, ora esporte?
Ora bolas, são cavalos.
E cavalos rendem bem.
Tá lá o Jockey... bem lembrando tempos de Gávea onde ao muro me quebrei.

Isso é prosa de outra hora.

Vem voando o passarinho.
É tucano?
Bicho preto de bico bonito, não tão grande de tucano, mas formoso bico.
Parece tucano.
Daí vê de longe.
Umas 7 ou 8 árvores á frente do mirante.
Voa pra lá, voa pra cá
Já agora a 5 ou 6.
Olha, esconde
Voa, voa...
Voa, olha...
E bem perto aqui no galho parou
Olhou agora firme.
Interagiu.
E esperou contemplando.
Tava na hora.

Sim.
Lá veio a neblina.
Subiu rápida turvando vista
Veio a nuvem em forma de nuvem
E nós dentro da nuvem
Não algodosa como cartum
nem gelada como uma frente fria
nem molhada
nem andina.

Vapor.

E se instalou um tempo tão bom
De branco
De dentro da paz
De dentro da nuvem
E dentro de nós
Tragada
Os bobos e o pássaro.
Que viram crianças brincarem
E chorarem depois de ao chão caírem
Ralarem
Joelhos
Gritarem de dor.
Gritaram na bica
Da água gelada
E a gente voltando
Pensando na vida
Levando pra frente
Levando aos pulmões nuvem que agora ao sangue
Reflete o barato da cidade vista de cima
Sentida do céu
Até, passarinho.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Pra jogo

São duas almas.
Dois corpos vagantes por caminhos proximamente distintos.
E basta o estalo que o amor - esse não menos vagante - ainda existe para que reflita a luz nos vales da calma.
Coração sangrante
Expurga desejo
Ferida reaberta
Molejado ao conhecer fui.
Passará toda mancha de desmotivação
Sorrirá até a lua ao perceber que findou-se a peleja do orgulho.
.
É fácil propor o jogo:
Os beijos serão conectos, saborosos e quentes
As mãos passearão pelos corpos coquetelando suor e saliva
As barreiras serão frangalhos tal como os ciúmes carnais
Os carinhos arderão a pele
As caras sorrirão contentes e apaixonadas
Os corpos gritarão quase quebrando e pensarão até em fugir do orgasmático
E quem deixar um eu te amo escapolir primeiro pela boca ré confessa das mordidas no pescoço perde.

Ou ganha?

Cabe então resolvermos.
Se vale mais a liberdade de sonhar com um mesmo triunfo
Ou a insegurança da disputa ferrenha
Que segura as cantorias da manhã nas prisões do passado
Que tinge de medo a filosofia do querer
Que evita o sim e o fim.

Mas tente compreender - cantaram -
Morando em não, te falo,
Você sabe como é.
Hoje a tarde todas as vias despedagiaram.
E eu voei.
E eu te busquei.
E você veio comigo.
E agora já não sei mais de nada.

No cartório ou na igreja?
Se não quiser, tudo bem, meu bem...
Pois assim como nós a praça já não será mais a mesma.
Os livros virão assim como as canções
Natural
Tornando qualquer jogo passatempo
e nós maiores que tudo.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

O Bebê-rrão

Fermentados
Destilados
Deste lado
também verás.
Litros embriagatórios.
Líquidos devaneios.

Mas tu, garotão, parece não poder beber tanto assim.

Fica engraçada a fala.
Gagueja,
confunde,
atropela,
cospe e xinga.
Boca maldita que parece vomitar, além dos seus excessos, as verdades mais ácidas que te povoam no particular.
Essas, acredite, só a ti interessam.

Olho caído
Olhar perdido
Peito inchado,
Prontíssimo pra nada e, na grande e sincera verdade, totalmente sem graça.
Surto démodé.

O mundo ensina.
E com esse aprendizado efetiva-se o desapego.
Não.
Não tenho que te aturar, garotão.
Te permito simplesmente passar,
Ir,
vai... mas pra longe.

Mais pra longe.

Rei da noite?
Inconsequente?
O egocentrismo é todo seu.
Veja, é a vida.
Deixa ela fazer seu papel e ser sua madura senhora.

Perco meu tempo pra aliviar a pena.
Para fazer presente a calma.
Já que uma faísca basta para explodir quem está tão combustível, deixemos o maluco dançar sem palma.
Violento,
conturbado,
nada claro,
nada amigo.
Valentia?
Não enxergo.
Vejo circo e vou-me embora.
Tá por fora, garotão.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Alívio?

Quero uma ópera de palavras.
Um turbilhão massacroso e demorado de letras desvendando minhas ideias.
Sem ligar pros impacientes como eu que sempre fogem de um extenso texto.
Clique
Impacientes fogem,
aprisionam,
e tem ciúmes.

Quero parar de parar pra pensar e vomitar ao mundo, mesmo que  falte o dinheiro, minha vontade de engoli-lo.
Quero clarear a mente, nem que para isso use dos mais fortes alvejantes.
Quero sanar o corpo.
Quero deixar o processo suicida que devora o hoje na angustia dos amanhãs
Quero calma.

Quero pausa.

Pois quero o sempre, o jovem e o sábio.
Quero o rápido.
Daí o cuco canta a todo instante.
Barulho irritante.
Buzina, calor, claridade.
Dormir?

A cidade é sim.
A cabeça é não.
Alvejantes, por favor.

Vamos ver a lua
Me chama pra ti
Se existe alguém, que se reflita
Pois à vista todos já me soam múmias em eco.
Enjoo por excesso.
Como se ferozmente mastigasse manteiga

Olhar fervente
e boca fechada até que um cocar coroe minhas ignorantes intransigências.

Enquanto isso eu crio
Eu vou
Eu paro
Eu choro
Eu crio
Eu paro...
E todo mundo roda
Em mãos
Ciranda
Cilada
Pra olhos que realmente queiram enxergar
por mais difícil que seja entender.

Crime.
Um coração criativo
ferir-se ou quebrar-se por cuca insalubre.
Por culpa ou por falta
Por tempo ou por cura.

Sorri e fui pra rua.
É porque ninguém merece.

...

domingo, 23 de janeiro de 2011

Beijo na Chuva

Beijo na chuva.
Poesia em cena.
Esqueça do mundo.
Esqueça de tudo
Só não ponha nos pingos a culpa por um beijo ruim
nem tire dos lábios as glórias por uma vizinha paixão.

Entremeios salivados
Entretantos dissolvidos
Tão molhados
E agora?

Voz da rua.

Ecoada pelo canto
Entoado pela jura
Volta o beijo na marquise
E o bairro se alumia.
E eles os pardos viram quase dia de tanta luz
Desejo combustível
que parece não ter fim.

A noite é longa e de água e carinho se faz o crescimento.
Olhar despido despistou a solidão
pra vontade de ver quem és
Assimilar-te
fazer parte
e ter-te;  o melhor conforto.
Pulse

Sendo a chuva problema das calçadas e caminhos
o beijo intrujou 
invadiu
e fez seu momento pra quem estivesse ali pra ver.

Da janela indiscreta,
Na triste medicância,
Desvirtua vício e fome canina.
Beijo na chuva
Obra prima

...

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

A Pataca do Alto Glória

A Pataca do Alto Glória desmontou foi muita gente.
Fez chorar o valente.
Fez caboclo descer.
Fez pensar o impensável
Deu xabu
Deu comentário
A Pataca do Alto Glória machucou foi coração
Baixou a pressão
Fez malandro mergulhar no vão
E era tudo impressão

quá quá quá...
"tintindo" nada...

Alô, olhão!!!
Né palha não!
Vai devagar que a Pataca é caveirão.
Invade
Deixa corpo no chão

Calma.
Deita.
Passa.
Pode acreditar.

Burbulhado pensamento
Semelhante aos semelhantes
Rubro olhar pediu ajuda
Apurados sentimentos

Abre a porta
Fecha a porta
Indecisos?
Secos sisos

Chama o padre,
O Pai de Santo,
O doutor,
ou por enquanto
água mineral
come um doce
lambe o sal
Só não chame o delegado
Que a amigo aqui do lado
Também tá na Pataqueira.
De bobeira?
Segunda feira?
Deixa quieto.
És esperto.
Num segundo
Viverás


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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Promoção 7ª Festa do Galo e A Caixa

A CAIXA
(JOÃO MARTINS/PABLO GAMARRA)

CAIXA PRA GUARDAR O QUE QUISER
MAIS QUE UM QUADRILÁTERO BAÚ
PRA TI, MULHER
O QUE A GENTE GUARDAR ALI
NUNCA MAIS VAI SUMIR
À NÃO SER QUE O ACASO DEMANDE ABERTURA
SEGURA ELA É!

TRIGONOMETRAL, SUTIL,
TRIDIMENSIONAL
MULTI FUNCIONAL
PRA COMEMORAR

3D 2 DEDOS DE PROSA
DEPOIS PASSEI
LEVEI UM DENGO PRA TI, MULHER
A CAIXA ENCAIXA EM QUALQUER CAXANGA QUE A GENTE CAXANGAR
LEVEI UM DENGO PRA TI, MULHER

...








Como estou de mudança, a Caixa. Salve Gamarra!

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É com muito orgulho que o Samba João Martins sorteia 2 ingressos pro Pré Reveillon na Sétima Festa do Galo que acontecerá dia 30 no Vilinha.

É simples participar, mais fácil é ganhar!
Basta colocar nos comentários aqui desse post a letra COM O NOME DOS COMPOSITORES de um samba gravado no último disco do Galocantô, Lirismo do Rio.
Moleza, né?
Pode até ser o meu, não ligo não...
Não se esqueça de botar seu nome e sobrenome.
Os primeiros dois seguidores do blog que cumprirem corretamente essa tarefa tão difícil terão o nome na lista VIP (0800) da Festa do Galo com direito a um acompanhante.
Cabe lembrar que eu também tocarei na Roda de Samba que abre o evento
Tá queridos?!

Olha o serviço ai:









7ª FESTA DO GALO
Pré-Réveillon
Roda de samba + Show do galocantô + Bateria da Vila Isabel

Associação Atlética Vila Isabel
Av. 28 de setembro, 160 - Vila Isabel
Informações (21) 7891-1928

R$15 (antecipado)
R$20 (estudantes, idosos e deficientes) / R$40 (inteira)

Pagamento somente em dinheiro para compra de ingressos e consumo no local.
Classificação etária 18 anos.

Ingressos Antecipados (até 29/12/2010)

- Centro
>> Livraria Folha Seca (http://www.livrariafolhaseca.com.br/)
R. do Ouvidor, 37 | tel 2507-7175
seg a sex das 10h às 19h / sábados das 10h às 15h

- Zona Sul
>> Cavídeo (http://www.cavideo.com.br/)
R. Voluntários da Pátria, 446 lj 25 (Cobal do Humaitá) | tel 2266-2239
diariamente das 10h às 0h

- Zona Norte
>> Loja Deplá (http://www.depla.com.br/)
Shopping Iguatemi – 2º piso
R. Barão de São Francisco, 236 lj 205 | tel 2578-2742
seg a sáb de 10 às 22h

>> RG Vídeo Locadora
Av. 28 de Setembro, 210 lj 06 (Vila Isabel) | tel 2567-5042
seg a sex de 10 às 20h30



Realização
http://www.galocanto.com



quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Sina que Cisma

SINA QUE CISMA
(João Martins/Leandro Fregonesi)

SINA QUE CISMA
EU QUERO SER FELIZ
OLHOS NOS OLHOS
UMA CANÇÃO
FAÇO O QUE FOR
APRENDIZ
DA SAUDADE
VIAJEI
DA VIAGEM NÃO VOLTEI
NA VERDADE TE INVENTEI PRA MIM

VEM COMIGO VER
A VIDA CLAREAR
QUANDO É BEM QUERER
NÃO PASSA
FELICIDADE VEM PRA QUEM CHAMAR
FELICIDADE VEM PRA NOS BUSCAR


Gravada diretamente do Apê Estudio com o auxilio luxuoso do Luis Henrique
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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Cabeça Deriventa

Em feliz mente
Infeliz mente?
Infelizmente...

Dá um tempo de "Se cuida!"
Dá um tempo de "Vai nessa!"
Dá um tempo de "Uhuuul!"
Dá um tempo, senhorita.
Dá um tempo.
Dá um tempo desse palco
Dá um tempo dessa vida
Que essa vida não é palco
Essa vida é mais bonita

Essa vida é bem mais simples
Essa vida é menos tudo
Menos tudo que me mostra
Numa que eu te admire
Tá difícil, senhorita.
Tá difícil pro teu lado.
Tás querendo ser fofinha...
Tás querendo ser da moda...
Tá difícil pro teu lado.
Tás é boba e sem carisma
Tás de bob, tás sem graça
Tá de graça? Á perigo?

É castigo?
És tão chata...
És vazia...
Mona monocrômica te faltas poesia.

É que tem gente que transa de tudo pra fazer parte do tudo
Mas só que esse tudo existe apenas na sua cabecinha.
Ai parece moda... ai parece chinfra....
Ai fica sem sal, sem verdade, sem mandinga

Fica over!

Dai se o tempo passa vira tudo outra vez.
Já se refere à outras divindades
Vai do Aleluia pro Shalom
Macumbeiro, Maçon...
Do Che pro Clinton
De tudo muda
É outra a pilha
É outra onda
E já sois outra
Te conheço, vai...
À deriva.
Cabeça Deriventa

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Frente Fria

O sol quer sair
Mas o céu não quer deixar
Manda nuvens pra prender
Manda chuva pra ecumbar
O sol em casa.

Fica então buscando um novo jeito
Pra esquentar os seus súditos
Justo.
Pois um astro - ainda mais o rei - merece e deve ser glorificado.
Glória em roupas leves
Em dias lindos
Em flores fortes
Suor caindo
Adoração.

É que fica ruim demais
Muito tempo sem ver luz
Sem o verdadeiro e quente afago que tange e tinge
Sem a força majestosa
Sem a graça do refletir

Nem as sombras aparecem
E o cinza é tudo enfim
Mas se bate o noroeste
Volta tudo a ser melhor
Da alvorada ao dia inteiro
Deixa, céu, o sol sair.
Tu também ficas mais belo
Sorri

Vire e mexe eu vou
Janelo
E pareces me ouvir.
Manda embora a frente fria
Vamos logo pro fervor!!!
Vem, verão!
Vem ver a vista
De roupas leves
De dias lindos
De flores fortes
Suor caindo


...

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Doce Ilusão?

Eles eram assim
Queijo e Goiabada.
Romeu e Julieta batizados.

Ele por ai.
Por dietas em meio à pães integrais, saladas capreses e peitos de peru.
Romeu, o branco insosso que ainda assim andava pelos bares da cidade servindo de aperitivo à bocas e madrugadas que talvez não devesse,
desembocando num acordar estragadasso.
Ressaqueado das delícias da noite.
Gorgonzola.
Mas jurava
Mais jurava
Rejurava tomar jeito.
Que ia ricotar e voltar tudo a algum normal.

E ela, ela
Julieta.
Fruta de pé na adolescência.
Madurando.
Sobrevivendo à pragas e agrotóxicos.
Até cozinhar na panela.
E sentir os calores do açúcar.
E ficar em ponto de doce.
Goiabada cascão.

Foi o encontro.
Coisa fina, sinhá, que ninguém mais acha.
Porque a gente fica assim. Querendo ser quem não é
Querendo que os outros sejam quem a gente não consegue ser.
Mas na verdade é tudo tão simples.
Como queijo com goiabada.

E viraram moda.
Estouraram nas paradas e na boca do povo.

Só que um dia, como dizem agora por ai, deu ruim.
E não teve tadinho.
E não teve culpado.
E não teve cuidado.
E o vaso quebrou.

Parece que a goiabada numas dessas voltas ao Sítio desconheceu-se.
Achou que era marmelada de banana
Bananada de goiaba
Ou talvez ela mesma... só que de marmelo.
E o queijo ficou sem ação.
Sem razão.
Sem chão.
Vendo toda a doçura azedar
Descombinando o paladar
Sentindo esvair como areia um sonho pelas mãos.

Fica a esperança.
Do queijo uma dia voltar a ser Romeu.
O eterno apaixonado que morreu por amor.
Indo além de qualquer zirimba de famílias.
Brilhando na história como o maior dos românticos.

Fictício

Fique cheese...

Pois a goiabada um dia cai na real
Foge dessa fuga
Dai quem sabe tudo volta a ser sobremesa.


...

terça-feira, 2 de novembro de 2010

...

Dizem que o melhor lugar pra chorar é no banho.
As lágrimas se tornariam apenas mais uma gota d'agua se esvaindo pelo ralo.
Mas os gritos da dor no banheiro ecoam mais alto
Mais forte
Penetra o sofrimento nos azulejos e em todos os cantos da casa.
Mudou o trajeto do trem.
Desplaneja-se
E chora-se então em outros cômodos
Em todos os cômodos.
Por todo tempo e a dor não para.

Foi coroada a tristeza
Ela impera com mãos e dentes de ferro
Dilacera.
Arrebenta implacável os frangalhos de resto de alma.
É nuvem ácida estufando a eminência das lágrimas
Mais lágrimas.

Agora com tudo desarrumado vem à mente em longos flashes o meu pior pesadelo
Aquele onde tento emergir do oceano
Onde estou no fundo do mar tentando uma fuga da falta de ar que me cerca
Nunca sei se consigo pois acordo covarde antes de morrer na certeza desesperada que faltava ainda muita água pra nadar.
Respiro enfim mas, desperto me falta a vitalidade que suplanta o ar e o desespero é ainda maior.

Como se acorda se a vida não é sonho?
Como se foge pra não afogar?
Como?

São dúvidas e não perguntas
e as dúvidas são mais confortáveis que as respostas.
Ponho-me a contemplar o mundo e vivenciar as suas dores que a idade traz.
Choque de realidade crua e complexa.
Ai, se eu tivesse gás.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Pra Iluminar

Pra iluminar 
(João Martins / Fernando Temporão)

Basta encontrar duas notas
Faz de conta que o amor comporta
Duas ilusões ou dois corações
Cheios de esperança
Pra recomeçar

Quando o refrão se desbota
Resta ao peito, feito a flor que brota,
Levantar do chão
N'outra estação
Refazer a dança
De um vento bom
Que trouxer verão

Vai, leva contigo a canção
Faz da melodia um clarão

Que é pra iluminar,
pra merecer,
Que é pra encontrar
nas notas musicais
que escrevo pra você

A razão de um samba
Que sofreu demais
E aprendeu a amar (em paz)




Canta Fernando Temporão
...

domingo, 19 de setembro de 2010

Dona Ivone e a volta do blog

RECEITA PRA AMAR
 (DONA IVONE LARA, ANDRÉ LARA E JOÃO MARTINS)

PENSAR EM NÓS
UM RISO VEM
O DOCE MEL DE QUERER BEM
AFASTA A TRISTEZA ME DEIXA NO AR

LEMBRAR DO TEU SABOR CONFUNDE A BOCA
QUE PEDE UM BEIJO TEU
PAIXÃO TÃO LOUCA

E LA LALAIÁ LALAIÁ

RETEMPERAR O MEU VIVER
CALOR PRA LENTAMENTE COZINHAR
NÃO DEIXO PASSAR DO PONTO PRA NÃO DESANDAR
EU VOU FAZER O QUE FOR
SEGUINDO A RECEITA PRA AMAR
MAIS UMA PITADA DE TI É TÃO BOM PRO MEU PALADAR

Foto: Alfredo Alves





....

Só pra amenizar esse calmo domingo.
Boa semana!

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Coragem

Foi ela que fez o homem desbravar o mar.
Foi ela que fez o homem conhecer os cogumelos venenosos.
Sem coragem, como estaria tudo?
Sem coragem não há vida vide a vontade chegar na frente dos nós antepassados espermatozóides.
E seguem em frente os por ela abençoados.
E ficam pelo caminho aqueles dos cogumelos.
Que merecem honras por sua bravura.
Constatar veneno onde a vontade de conhecer transcendia qualquer perigo, dor ou medo em nome da continuidade.

Em algum lugar esse barco para.
Mas olha bem o tamanho do oceano...
Coragem garoto, não vende em banca.
Nem banco.

A coragem é a mãe do sucesso e madrasta do acaso.



...

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

E depois de 25 anos.... de pai pra filho

PRA NÃO MAIS CHORAR
(WANDERSON MARTINS/JOÃO MARTINS)

SÓ MAIS UMA VEZ É QUE EU TE PEÇO PRA VOLTAR
CHEGA SEM AVISO
TRAZ O TEU SORRISO
É O QUE PRECISO
PRA NÃO MAIS CHORAR
VEM MAS DESSA VEZ VEM PRA FICAR

VAI SE ACABAR MEU SOFRIMENTO
MEU ALENTO É TEU CORAÇÃO
POIS NA DESPEDIDA CHOREI TANTO
JÁ SECOU TODO MEU PRANTO
SÓ VOCÊ A SALVAÇÃO
COLORI MEU MUNDO
RESSURGI
E AGORA QUERO ENFIM MUDAR
PRA FELICIDADE LADO A LADO
MEU DESTINO RE-TRAÇADO
PRO TEU COLO ME ABRIGAR

A SAUDADE LENTAMENTE
MATA O CORAÇÃO DA GENTE
VEM MAIS DESSA VEZ VEM PRA FICAR
EU ME ENTREGO AOS TEUS DELÍRIOS
ME CANSEI DE AMOR VAZIO
VEM MAIS DESSA VEZ VEM PRA FICAR



...

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Boas Novas do Jardim

Boas Novas do Jardim
(João Martins / Inácio Rios)

Limoeiro perguntou
Como vai o Laranjal
Goiabeira enciumou
Num romance de quintal
Bananeira cochichou
Pro pequeno Pica-Pau
Que o Coqueiro desfilou de palmeira imperial
E também no carnaval
A Roseira desfolhou
Ai ai...

Quem contou foi Joaninha
Que passeia todo dia
Linda, vermelhinha
No jardim
Zum-zum-zum,
Lalaiá
Ziguezagueou
Todo dia Joaninha vai de flor em flor


Cantamos Eu e Inacio

...

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Irado!

É que tem horas que a ira toma conta de mim.
A ira mesmo.
O quarto pecado capital deve vir-me em forma de enzima produzida por alguma glândula de alguma parte de alguma biologia chata dessas, mas só sei que toma conta do organismo, deixa gosto de sangue e ferro na boca e uma forte pressão na cabeça.
Essa é a ira.

Tipo bicho(a) que morde.
Literalmente.
Mordo a língua com bastante força, meus olhos se reviram dentro da cara, meus punhos se cerram e por alguns segundos escapo de mim.
Minha alma passeia pelos músculos contraídos e tem desfalques de plenitude numa aceleração cardíaca atormentadora.

Dá e passa.
Quase sempre o motivo dessa síncope é 7 segundos após a crise diagnosticado como banal.
O problema é a quantidade de ataques diários.

Ira.
E é pecado capital porque é só ira, não é ódio.
Ódio é pecadão mermo pois no ódio se deseja o mal alheio.
Não é como a ira onde só se deseja arrancar o nariz da pessoa com o dente, socar intensamente e joga-las pela janela.
Pessoas e coisas.
Dão no mesmo.

Já ouvi chamarem de "ataque de barata", "chilique","acesso de maluquice", "descompensamento"... mas pra ficar bonito na fita eu me ridicularizo e espalho aos sete cantos que ando escandalosamente irado.

Ui calma, Creuza!

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segunda-feira, 21 de junho de 2010

O Som da Copa 7

Fogos.
O sujeito está em si.
Fazendo alguma coisa.
Qualquer coisa que for.

Dai ele abre uma caixa,
Pega um tubo daquele,
Acende com um isqueiro o pavio,
aquilo explode nos ares.

Cabeção de nego.
O sujeito também parece estar em si.
Andando pela rua.
Ele para.
Puxa, acende e solta.

É... faltou o "prende".
Realmente.
Se o sujeito tivesse mantido sua bomba em mãos o resultado seria bem mais interessante do que um simples estouro nos meus ouvidos.

Vuvuzelas.
Mais uma vez o sujeito pensa estar em si.
Dirigindo seu carro.
Passando pela 24 de Maio na altura do Buraco do Padre avista o negão todo vestido de Brasil.
Vendendo bandeiras, bandeirões e bandeirinhas pra botar no vidro,
óculos patriotas,
chapéus coloridos
Ele abre a janela do carro e manda:

- Coé maluco!
Tem vuvuzela não?!

o negão responde:

- TEM !!!
Tá ali ó:

e sai em disparada pra pegar a maldita corneta antes que o sinal abra.

Abre...

Abre...

Abre...

-FUÓÓÓÓÓÓÓÓ!!
Tá na mão, chefia!

Não abriu.
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Muito barulho nessa minha sétima Copa do Mundo.
Saudades das espumas de Carnaval
2,43% menos chatas.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Alô Niterói!!!

Reviravolta da Maré
(João Martins / Inácio Rios / Daniel Scisinio)

A tormenta vem ao longe
Vejo a maré revirar
Pescador segura o leme
Com respeito à força do mar

Santa Bárbara proteja esse teu filho
Que tem filhos na areia
Com a fome a lhe atormentar
Mar
Sendo tão generoso
Anoitece raivoso
O que fiz pra penar?

Se tombou a embarcação
Mas ficou a ilusão
De que o tempo é meu abrigo
E o bom vento a salvação

A tormenta vem ao longe
Vejo a maré revirar
Pescador segura o leme
Com respeito à força do mar

Manta na terra batida sobre o milho
E que a luz da candeia venha logo nos abençoar
Pra agradar ao meu povo
Que não é perigoso
Quer a alma lavar
Mas existe a decisão
Que atordoa o coração
E o meu sexto sentido
Vive sempre à água e pão

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Canta Daniel Scisinio

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quarta-feira, 16 de junho de 2010

A Saudade é companheira

A SAUDADE É COMPANHEIRA
(Leandro Junior/João Martins)

Cores de lembranças com vida
Vibram amanhã ou mais tarde
Arde o sabor das cantigas
A saudade é companheira

Cabe relembrar as partidas
Vidas hoje se desencontram
Honram, cicatrizam as feridas
A saudade é companheira

Diz que não mas me guia
É pilar, é abrigo
Independe de mim
A vontade do amor

Diz que não mas me guia
Fria paz do encontro
Do que nem se conhece
Mas vital se tornou


Canta Leandro Junior no disco "Na Correnteza".

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Fiz essa letra bêbado, virado, às 7 da manhã na casa da Clarice Azevedo.
Seu Geraldo tomando seu café e foi lá onde meu amigo Leando Junior mostrou a melodia antes de sairmos pra mais um Pega-Ratão, afinal, por qual outro motivo estaria eu as 7 na casa de alguém?